10 Recursos Modernos do Java que Desenvolvedores Sêniores Usam

☕ Para reduzir significativamente sua base de código Java.


10 Recursos Modernos do Java que Desenvolvedores Sêniores Usam


Se você ainda está digitando getters, setters, equals() e hashCode() manualmente, ou se seus Data Transfer Objects (DTOs) parecem ter sido escritos em 2012, você está perdendo o segredo.

Você está escrevendo Java demais.

Já trabalhei em equipes que passaram semanas debatendo Lombok versus frameworks de imutabilidade, só para introduzir problemas complexos de build e bugs ocultos. A Java Virtual Machine (JVM) moderna — especificamente Java 17 LTS e versões posteriores — já resolveu esses problemas nativamente.

Isso não é apenas “açúcar sintático”. Esses recursos reduzem fundamentalmente o código repetitivo (boilerplate), melhoram a legibilidade do código e, mais importante, permitem otimizações mais profundas do compilador que reduzem a carga cognitiva.

Este é o verdadeiro “código secreto” para construir microsserviços mais rápidos, sustentáveis e baratos.

Aqui estão os 10 recursos que os desenvolvedores sêniores utilizam para reduzir sua base de código Java pela metade.


1. record: O Exterminador de Boilerplate

Esta é a maior conquista para classes centradas em dados. Se o propósito principal de uma classe é armazenar dados, use um record. Eles são imutáveis e geram automaticamente construtores, getters, equals(), hashCode() e toString().

A matemática é simples: 10 linhas de configuração se tornam uma.

A Maneira Antiga (Java < 16)

// User.java (aproximadamente 25 linhas de boilerplate + 2 campos)
public final class User {
    private final long id;
    private final String username;

    public User(long id, String username) {
        this.id = id;
        this.username = username;
    }
    // Mais 15 linhas de getters, equals, hashcode e toString...
}

A Maneira Nova (Java 17+)

// User.java (1 linha)
public record User(long id, String username) { }

// Uso:
var user = new User(42, "theIndieDev");
long userId = user.id(); // Os acessadores têm o nome do campo

Observação: Os record são imutáveis por padrão, o que quase sempre é o que você quer em uma arquitetura moderna. Se você precisa de mutabilidade, geralmente está modelando uma entidade com estado, não um DTO, e deve usar uma classe tradicional.

Aprenda Java da forma correta:

https://terminalroot.com.br/java


2. Pattern Matching para instanceof: Adeus ao Inferno dos Casts

Quantas vezes você já escreveu a mesma sequência cansativa: verificar o tipo e, em seguida, fazer o cast explícito? Agora o compilador faz o cast para você, dentro do bloco, desde que a verificação seja bem-sucedida.

Isso economiza uma linha, mas, mais criticamente, limpa instantaneamente a lógica aninhada.

A Maneira Antiga

public void process(Object o) {
    if (o instanceof String) {
        String s = (String) o; // Cast explícito necessário
        System.out.println("Length: " + s.length());
    }
}

A Maneira Nova

public void process(Object o) {
    // 's' é automaticamente convertida para String e está no escopo
    if (o instanceof String s) {
        System.out.println("Length: " + s.length());
    }
    // 's' está fora do escopo aqui
}

3. Expressões switch: O Simplificador de Fluxo

As declarações tradicionais switch eram uma fonte de bugs sutis devido ao fall-through acidental e, além disso, eram apenas declarações — você não podia atribuir o resultado a uma variável.

As expressões switch corrigem isso garantindo um resultado e usando a sintaxe de seta (->) para eliminar a necessidade do break.

A Maneira Antiga

String dayType;
switch (day) {
    case MONDAY:
    case FRIDAY:
        dayType = "Busy";
        break; // O break é crucial!
    case SATURDAY:
    case SUNDAY:
        dayType = "Weekend";
        break;
    default:
        dayType = "Normal";
}

A Maneira Nova (Uma Única Expressão)

String dayType = switch (day) {
    case MONDAY, FRIDAY -> "Busy";
    case SATURDAY, SUNDAY -> "Weekend";
    default -> "Normal";
};

Aprenda Java da forma correta:

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4. Classes Seladas (Sealed Classes): O Power-Up Arquitetural

As classes seladas, introduzidas no Java 17, não têm como objetivo direto reduzir linhas de código. Elas servem para reduzir possíveis bugs e permitir que o compilador ajude na correção.

Agora você pode declarar explicitamente quais classes ou records podem implementar ou estender um tipo selado, impondo uma hierarquia controlada.

// Impondo que apenas Circle, Square e Rectangle podem ser formas
public sealed interface Shape
    permits Circle, Square, Rectangle { }

public record Circle(double radius) implements Shape { }
public final class Square implements Shape { /* ... */ }
// Qualquer classe que não seja explicitamente 'permitida' não pode implementar Shape

A mágica acontece quando você combina isso com uma Expressão switch. O compilador agora pode garantir que você tratou todos os subtipos possíveis, eliminando a necessidade de uma cláusula default defensiva. Isso é poderoso para modelagem Domain-Driven Design (DDD).


5. Blocos de Texto (Text Blocks): O Salvador do SQL/JSON

Se seu código Java lida com strings de várias linhas — consultas SQL, payloads JSON, trechos HTML ou arquivos de configuração complexos — você provavelmente já teve strings concatenadas feias com caracteres \n inseridos manualmente.

Os Blocos de Texto ("""...""") resolvem esse problema de forma elegante.

A Maneira Antiga

String JSON_PAYLOAD = "{\n"
    + "  \"name\": \"AccountCreatedEvent\",\n"
    + "  \"timestamp\": \"" + now() + "\"\n"
    + "}";

A Maneira Nova

String JSON_PAYLOAD = """
    {
      "name": "AccountCreatedEvent",
      "timestamp": "%s"
    }
    """.formatted(now()); // Funciona muito bem com .formatted()!

6. Inferência de Tipo de Variável Local (var): Despoluindo o Código

Esse recurso, muitas vezes mal compreendido, tem como objetivo reduzir o ruído causado por declarações de tipo redundantes. A chave são as variáveis locais onde o tipo é claro a partir do contexto.

Você economiza na digitação, mas o benefício real são linhas mais limpas, especialmente com genéricos.

A Maneira Antiga

Map<String, List<User>> userMap = new HashMap<String, List<User>>();
try (BufferedReader reader = new BufferedReader(new FileReader("data.txt"))) {
    // ...
}

A Maneira Nova

// O tipo é óbvio a partir do lado direito (RHS)
var userMap = new HashMap<String, List<User>>();

// Ainda suficientemente explícito para legibilidade
try (var reader = new BufferedReader(new FileReader("data.txt"))) {
    // ...
}

Sabedoria do Dev Sênior: Use var apenas onde o tipo seja imediatamente óbvio no lado direito (RHS). Não o use para ofuscar tipos de retorno de métodos ou para campos.


7. Melhorias no Optional: Menos Código Defensivo

A classe Optional é essencial para programação no estilo funcional, mas versões mais antigas tornavam tarefas comuns muito verbosas. O Java adicionou métodos mais limpos para tornar o tratamento de erros e efeitos colaterais mais elegantes.

A Maneira Antiga (Pré-Java 11)

// Tratando um valor ausente com erro
String result = optionalValue.orElseThrow(
    () -> new NoSuchElementException("Missing value"));

// Tratando efeitos colaterais de sucesso ou falha
optionalValue.ifPresent(
    (v) -> doSomething(v)
);
if (!optionalValue.isPresent()) {
    doSomethingElse();
}

A Maneira Nova (Java 11+)

// Maneira mais limpa de lançar uma exceção
String result = optionalValue.orElseThrow(
    NoSuchElementException::new);

// Maneira mais limpa de lidar com efeitos colaterais
optionalValue.ifPresentOrElse(
    this::doSomething,
    this::doSomethingElse
);

Aprenda Java da forma correta:

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8. Melhorias na API de Streams (takeWhile / dropWhile)

A API de Streams é a base do Java funcional moderno. takeWhile e dropWhile permitem uma filtragem poderosa, baseada em condições e com curto-circuito.

Em vez de consumir todo o stream com um filter genérico, você pode parar a iteração imediatamente quando uma condição for atendida, levando a um processamento mais rápido de grandes conjuntos de dados.

O Conceito

// Dados: [1, 2, 4, 6, 9, 10, 12]

// takeWhile: Pega elementos *enquanto* o predicado for verdadeiro, depois para.
// Exemplo: takeWhile(n -> n < 5) retorna [1, 2, 4]
// dropWhile: Descarta elementos *enquanto* o predicado for verdadeiro, depois retorna o restante.
// Exemplo: dropWhile(n -> n < 5) retorna [6, 9, 10, 12]

9. Collectors.toUnmodifiableList/Set/Map: Defensivo por Padrão

Em versões mais antigas do Java, os desenvolvedores constantemente se esquecia de encapsular coleções mutáveis em cópias defensivas (por exemplo, Collections.unmodifiableList(...)). Essa é uma fonte clássica de problemas de concorrência e corrupção de estado.

Agora, você pode coletar diretamente em uma lista imutável.

A Maneira Antiga

List<String> mutableResults = sourceList.stream()
    .filter(...)
    .collect(Collectors.toList());
// Mais tarde, você poderia retornar assim, permitindo modificação externa:
// return mutableResults; // PERIGO!

// A maneira defensiva era verbosa:
List<String> safeList = sourceList.stream()
    .filter(...)
    .collect(Collectors.collectingAndThen(
        Collectors.toList(),
        Collections::unmodifiableList
    ));

A Maneira Nova (Java 10+)

// Uma linha, garantidamente imutável e segura
List<String> safeList = sourceList.stream()
    .filter(...)
    .toList(); // Esta é a sintaxe simplificada do [Java](https://terminalroot.com.br/java/) 16+

// OU (para [Java](https://terminalroot.com.br/java/) 10+)
List<String> safeList = sourceList.stream()
    .filter(...)
    .collect(Collectors.toUnmodifiableList());

Aprenda Java da forma correta:

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10. Stream::toList(): O Finalizador de Streams

Embora Collectors.toList() exista há muito tempo, o método de instância Stream::toList() (Java 16+) é uma maneira concisa e sem boilerplate de finalizar um stream em uma List padrão e imodificável.

É o máximo economizador de linhas para a operação de Stream mais comum.

A Maneira Antiga (Verbosamente)

List<String> names = employees.stream()
    .map(Employee::getName)
    .collect(Collectors.toList());

A Maneira Nova (Conciso e Seguro)

List<String> names = employees.stream()
    .map(Employee::getName)
    .toList(); // Uma única chamada de método

Conclusão: Pare de Escrever Código Descartável

A complexidade no software empresarial raramente está na lógica de negócio em si; está no “tecido conjuntivo” — o código repetitivo (boilerplate), as cópias defensivas, as instruções break esquecidas e os casts manuais.

O Java moderno (17+) foi projetado para eliminar esse “tecido conjuntivo”. Ao adotar esses 10 recursos, você não está apenas agradando ao compilador; está libertando seu cérebro da carga cognitiva. O código que você não escreve é código que não pode ter bugs.

Se você mantém uma grande base de código, insisto fortemente para que você pare de usar os padrões antigos e verbosos e comece a migrar seus DTOs para record hoje mesmo. Essa única mudança sozinha lhe dará uma redução imediata e quantificável de 50% na contagem de linhas em seus modelos de dados.

Pare de escrever código descartável. Comece a escrever lógica de negócio.

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Via: medium.com/@martinastaberger/


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